Uns dizem que vó é mãe com açúcar
Outros, que ela é mãe duas vezes
Não sei se vocês conhecem alguma outra definição
Só sei que todas elas valem para a vó Iza
Defeitos?
É, os outros dizem que ela tinha
Nós três só os conhecemos de ouvir falar
A filha e neta de lavadeiras
Aprendeu com sua madrinha
O ofício de costureira
Vestiu os filhos, o marido, os clientes...
Vestiu até uma noiva!
Mas o sonho mesmo era ser professora
E quem disse que ela não foi?
Ensinou os sobrinhos, os netos...
E por que não dizer,
muitos de vocês que estão aqui?
Que compartilharam alegrias e tristezas
Com alguém que, no lugar da crítica,
usava a compreensão
Se a infância foi difícil
Com apenas duas mudas de roupa
Uma no corpo e a outra guardada no caixotinho de madeira
Uma no corpo e a outra guardada no caixotinho de madeira
Na velhice, usou vestidos diferentes e alinhados
para viver suas maiores alegrias:
As formaturas dos netos
E como o assunto é vestido
Esse aí, que ela está usando hoje,
É de uma ocasião muito especial:
a cerimônia das Bodas de Prata
Ah, as Bodas de Prata...
Dona Iza...
Seu Lamartine...
Nem Hollywood, nem Manoel Carlos conseguiram escrever
uma história de amor tão bonita!
Quando o dinheiro não era suficiente,
Uma única flor.
Se as vacas não estivessem tão magras,
Um belo buquê.
Mas nenhum 23 de setembro (eu disse nenhum)
A data do casamento deles
A data do casamento deles
passou em branco enquanto estiveram juntos
Não era chegado ao vinho
Mas quando, por algum motivo,
tomava uma tacinha,
vô Lamartine chamava vó Iza
e lhe dizia, com todas as letras:
“Iza, você é a mulher mais amada deste mundo”!
Pegamos, então, carona com o vô Lalá para dizer:
VÓ IZA, VOCÊ É A AVÓ MAIS AMADA DESTE MUNDO!
Iza Santos de Almeida
(23/02/1923 - 26/05/2010)










Que linda homenagem, Carol!
ResponderExcluirA minha avó foi pro Céu ano passado, as duas devem estar no maior papo...;) Bjos,