
Com uma propaganda daquelas não dava para perder. Mais de três mil pessoas convertidas em uma única exibição? Fiquei entusiasmadíssima! Tudo bem que foi nos anos setenta, mas não dá pra dizer que a essência do ser humano tenha mudado tanto assim de lá pra cá, né? E tudo o que serve para renovar a nossa fé e ratificar a posição que assumimos em relação a Cristo é sempre muito bem-vindo. Fomos, então, Malu, Nininha, Sarah e eu à igreja no domingo pela manhã após um sonolento sábado de plantão.
Personagens, figurino, roteiro e locações apresentam uma comunidade protestante bem tradicional. A montagem em 16 mm é conduzida a partir da experiência de um homem que só passa a acreditar no inferno depois que morre e se dá conta de que não tem mais como voltar. Além de líder da igreja que aparece no filme, o pastor também é uma espécie de narrador e também interage com o público. A intenção é bem clara: estimular os espectadores a seguirem a Cristo como única opção àquele amargo e doloroso destino.
Certamente que o longa não chegou à Academia, mas se pudesse premiá-lo, faria questão de contemplar quem cuidou do figurino e dos efeitos especiais. Os penteados das mulheres, no melhor estilo playmobil, são impagáveis. E o que é aquele inferno? Sensacional! Dá tanto para rir, como para chorar - fica a critério do cliente.

No decorrer do dia, enquanto ainda digeria todas aquelas informações, acabei me lembrando da imagem acima. Ficava lá, pendurada na sala da vó Dima, com aquele olho dentro de um triângulo sempre vigiando a gente. Baseada em um trecho do Sermão do Monte (Mateus 7.13,14), a tela era comumente encontrada em lares protestantes antigamente, segundo um pastor da Assembléia Deus. Mesmo pequena, eu sempre gastava alguns bons minutos tentando decifrá-la.
Da mesma forma que o diretor do filme abusou dos recursos de que dispunha para tornar o inferno o mais quente, o mais feio e o mais doloroso possível, o desenhista se esmerou em retratar os deleites oferecidos pela porta larga da forma mais atrativa.
Pode-se dizer que as duas obras são representativas, caso contrário não estaríamos aqui falando sobre elas. Mas, em minha opinião, são também dois arcaicos e danosos meios de evangelização ainda usados nos dias de hoje, como pude constatar.
Mateus 14.28-32
Pedro, disse: "Se és tu, Senhor, manda-me ir ter contigo, por sobre as águas". E ele disse: "Vem!"
E Pedro, descendo do barco, andou por sobre as águas e foi ter com Jesus. Reparando, porém, na força do vento, teve medo; e, começando a submergir, gritou: Salva-me, Senhor! E, prontamente, Jesus, estendendo a mão, tomou-o e lhe disse: Homem de pequena fé, por que duvidaste? Subindo ambos para o barco, cessou o vento
Pedro só começa a afundar quando desvia o olhar de Jesus. Passa a submergir quando repara na força do vento. Deixa de viver o milagre quando a fé dá lugar ao medo de ser engolido pelo mar.
O inferno pode ser terrivelmente pior que aquilo. A porta larga pode levar até uma floresta muito mais escura. Mas não é o medo que deve nortear uma decisão por Cristo. Não se escolhe o céu e a porta estreita só para fugir da escuridão e do sofrimento.
Jesus é a melhor opção porque só Ele é capaz de conceder a liberdade plena. Aceitá-Lo como Salvador perpassa simplesmente pelo reconhecimento das incontáveis manifestações de Seu amor. Somente a fé nos torna aptos a enxergar a vida pela optica d'Aquele que veio ao mundo para demonstrar a essência da graça de Deus.
1 João 4.18
No amor não há medo. Antes, o perfeito amor lança fora o medo; porque o medo envolve castigo; e quem tem medo não está aperfeiçoado no amor.

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